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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

RUSSOMANO: "Gostaria que tivesse uma igreja em cada quarteirão"


Do UOL, em São Paulo

O candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (PRB) disse que, se for eleito, gostaria de "uma igreja em cada quarteirão". A afirmação foi feita durante a sabatina Folha/UOL realizada nesta quarta-feira (22).
"Vou preservar todas as igrejas, regularizando a situação delas, e gostaria que em cada quarteirão houvesse uma igreja pregando o amor ao próximo", disse.

Candidatos a prefeito de São Paulo participam de sabatinas Folha/UOL

Foto 30 de 39 - 22.ago.2012 - Celso Russomanno, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRB e um dos líderes nas pesquisas de intenção de voto na capital paulista, participa da sabatina Folha/UOL. Russomano negou durante a sabatina que o deputado federal Paulo Maluf (PP) seja seu padrinho político: "Ele não foi meu padrinho [político], nunca foi e nunca será" Mais Danilo Verpa/Folhapress
Para Russomanno, a linha religiosa das pessoas evita mortes e crimes. "As pessoas não matam ou roubam porque a lei proíbe, mas porque têm uma linha religiosa. Existe igreja porque a população é temente a Deus, porque a população acredita", declarou.
Russomanno também afirmou que o deputado federal e ex-prefeito Paulo Maluf (PP) não é seu padrinho político. "Ele [Maluf] não é meu padrinho [político], nunca foi e nunca será", disse.
A firmação foi feita após a colunista da "Folha de S.Paulo" Barbara Gancia dizer que Russomanno "aprendeu com seu padrinho Maluf a não responder às perguntas".
Segundo a jornalista, o candidato não respondeu objetivamente à questão sobre qual seria sua "primeira canetada" à frente da prefeitura caso fosse eleito.
Russomanno, porém, queria discorrer sobre seus planos para a saúde. "O senhor quer comandar o debate, mas nós é que faremos isso. Pedimos para que o senhor seja mais objetivo", disse Maurício Stycer, repórter especial do UOL.
Em 1997, Russomanno deixou o PSDB  e filiou-se ao PPB, que mais tarde virou PP. Ele foi candidato ao governo do Estado de São Paulo em 2010 e, no ano seguinte, saiu do PP após divergências com Maluf. Filiou-se, então, ao PRB, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, para disputar a prefeitura.
Russomanno afirmou que não é um candidato populista. "Eu sou o candidato que tem feito propostas de pé no chão. Sem nada mirabolante", afirmou.

Candidato é o 1º colocado em pesquisa

De acordo com a última pesquisa Datafolha/Folha de S.Paulo, divulgada na última terça-feira (21), Russomanno aparece em 1º lugar com 31% das intenções de voto.  Atrás dele, está o candidato José Serra (PSDB), com 27%.
Passe o mouse nas datas e veja mais detalhes
27 JUN
2012
21 JUL
2012
21 AGO
2012
0%10%20%30%40%
Datafolha / Folha de São Paulo
Pesquisa do dia 21/08/2012: realizada entre os dias 20 e 20/08/2012; Registro nº: SP-00362/2012; Entrevistados: 1000
Margem de erro: 3.0 pontos percentuais

Quatro candidatos aparecem empatados tecnicamente na terceira posição. Fernando Haddad (PT) aparece com 8% das intenções de voto, Gabriel Chalita (PMDB) tem 6%, Soninha Francine (PPS), 5%, e Paulinho da Força (PDT), 4%.
Na pesquisa anterior do Datafolha, divulgada no dia 21 de julho, Russomanno aparecia em 2º lugar com 26% e Serra em 1º, com 30%.

Quem é Russomanno?

Eleito deputado federal por quatro vezes, Celso Russomanno tem 56 anos e nasceu em São Paulo. Se formou em direito em 1984, e ficou conhecido por atuar em programas de televisão em que aparece como defensor dos direitos dos consumidores.
Foi candidato ao governo do Estado de São Paulo em 2010 e, no ano seguinte, saiu do PP após divergências com o deputado federal Paulo Maluf. Filiou-se, então, ao PRB para disputar a Prefeitura de São Paulo.

Sabatinas Folha/UOL

Russomanno é o terceiro entrevistado na série de sabatinas com os candidatos a prefeito da cidade de São Paulo. Soninha (PPS) foi a segunda a participar e Gabriel Chalita (PMDB),  o primeiro. As sabatinas com Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) estão programadas para o início de setembro, mas ainda não foram confirmadas.
Os eventos são divididos em três blocos e têm duração prevista de uma hora e meia, no Teatro Cultura Artística Itaim (av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1.830, Itaim Bibi, zona oeste), e são transmitidos ao vivo pelo UOL. Os candidato são entrevistado por Vera Magalhães, editora do "Painel", Ricardo Balthazar, editor de "Poder", Barbara Gancia, todos da Folha, e Mauricio Stycer, repórter especial do UOL. Você pode acompanhar a transmissão ao vivo.

domingo, 22 de julho de 2012

RUSSOMANO VAI À IGREJA: As pessoas não matam e não roubam porque a lei proíbe, mas porque elas têm uma linha de conduta religiosa

O ópio do povo

Vai começar tudo de novo. Embora o Brasil seja, pelo menos constitucionalmente, um Estado laico, não há um candidato a qualquer cargo público que não queira ficar de bem com católicos, evangélicos, budistas, espíritas, muçulmano, ou seja lá que religioso for. Parece que acreditar em algum deus é condição sine qua non para ser eleito. Do jeito que as coisas são no Brasil, se um candidato se declarar ateu é capaz de ser, no mínimo, apedrejado.
É incrível como as pessoas dão mais importância ao fato de o sujeito ir à missa, frequentar cultos, rezar direitinho nas horas certas, do que ter uma biografia impecável ou um programa de governo que contemple as necessidades mais prementes da comunidade à qual pretender servir.

Para muitas pessoas é mais importante saber se o fulano acredita em deus do que, por exemplo, quais são seus planos para a educação, para a saúde ou para o transporte urbano.
Coisa de louco.

Exemplo dessa verdadeira patologia social que é obrigar a pessoa a ser religiosa, é o candidato do PRB à prefeitura paulistana, o dublê de deputado e apresentador de TV Celso Russomano, que foi a uma missa para mostrar ao eleitorado que ele acredita no deus católico e não em outro qualquer. Depois do ofício, Russomano falou aos repórteres que o seguiram até a igreja. E a sua declaração revela não só o que ele pensa sobre o assunto, mas, provavelmente, também o que pensam os seus adversários:

- Vou em todas as igrejas e vou com muito prazer. E desde que estejam fazendo o bem, quero proteger essas igrejas como prefeito. Quero que todos os templos que estejam abertos em São Paulo sejam preservados, porque dão linha de conduta para a sociedade. As pessoas não matam e não roubam porque a lei proíbe, mas porque elas têm uma linha de conduta religiosa - afirmou.

Destaco essa última parte de sua afirmação: para Russomano, as pessoas não matam e não roubam porque a lei proíbe, mas "porque elas têm uma linha de conduta religiosa".

É incrível como esse tipo de raciocínio distorcido se espalha e acaba contaminando toda a sociedade. E isso é um perigo para a construção de uma nação plural, que abrigue sem distinção todo o tipo de pensamento, que não incentive o preconceito e o ódio pelas minorias.
O deputado/apresentador de TV Russomano, ao declarar que a virtude e a boa conduta são privilégio apenas dos religiosos insulta a história da humanidade, que tem provas inequívocas de assassinatos em massa e tantos outros crimes bárbaros cometidos em defesa de algum entre os milhões de deuses existentes. Além disso, ofende os milhões de seres humanos que vivem pacificamente respeitando e amando os semelhantes, produzindo obras de arte, desenvolvendo a ciência, ajudando a civilização a evoluir material e espiritualmente, sem que para tanto acreditem na existência dessas entidades invisíveis e incorpóreas que tantos sacrifícios exigem dos pobres mortais.

Certa vez, há muito tempo, um alemão barbudo fez uma afirmação que até hoje faz muita gente refletir: "A religião é o ópio do povo."

Cá entre nós, esse alemão entendia das coisas. Os nossos políticos aprenderiam muito se dessem uma espiadinha naquilo que ele escreveu.