domingo, 24 de janeiro de 2016

Direito não é moral nem moralismo!

lenio
Por Lenio Luiz Streck

Esta coluna é jurássica. Ortodoxa. De quem acredita na Constituição. Simples assim! Convido-os para essa travessia. Como Ulisses, em que as correntes que lhe amarram são a sua própria salvação!

Parcela considerável dos pindoramenses já conhece a série americana Making a Murderer. Há vários artigos, inclusive de juristas, comentando o assunto. Tentarei fazer isso de outro modo. A história: Trata de um sujeito pobre — Steven Avery — detestado pelas autoridades (por "boas" razões) que é condenado por um crime que não cometeu. 18 anos depois, é inocentado pelo exame do DNA. Vira uma celebridade: processa o Estado por 36 milhões, vira nome de legislação etc. até que... é preso por novo crime. É preso de novo e só se quebra.

Make a murderer, Orestéia e seu simbolismo
A série é constrangedoramente simbólica, mormente se pensarmos na justiça penal de um país periférico como o nosso. A série televisiva chocou os estadunidenses. Será que nos choca? Quantos desses Steven Avery andam por nosso sistema carcerário? De pronto, lembro de um caso recente ocorrido no Rio Grande do Sul, em que o exame de DNA, embora apontasse para um novo julgamento ou até mesmo da inocência (por exclusão) do réu (preso), foi recusado pelo Tribunal de Justiça estadual por maioria de votos. A desembargadora relatora considerou procedente o pedido, uma vez que o exame de DNA comprovou que fora encontrado sangue no local do crime e que esse sangue não era do réu e, sim, de outro indivíduo. Nenhum outro elemento de prova técnica incriminou o réu-revisante. Só a palavra da vítima. De todo modo, o que impressionou nos votos que negaram a revisão foi o argumento de que o DNA não comprovou com certeza a exclusão do acusado (o exame não teria falado em percentuais). Mas, a pergunta é: não deveria ser o contrário? Não seria a condenação que exigiria prova robusta e certa? A razão não estaria com a desembargadora relatora, que, embora não convencida da inocência do revisante, deu-lhe o benefício da dúvida? Aqui, em vez da série Making a murderer, poderia ser utilizada a tragédia grega Orestéia, em que surgiu pela primeira vez a aplicação do in dubio pro reo, porque o resultado do julgamento apontou cinco votos a favor da inocência de Orestes (acusado de matar a mãe Clintemestra e o seu amante, Egisto) e cinco votos pela sua condenação. Foi absolvido pela juíza Palas Atena com base no in dubio pro reo. Qual é a moral da história nessa tragédia grega? Na verdade, duas: a primeira, na dúvida, você absolve; a segunda, o direito é que institucionaliza o castigo. A vingança privada foi banida.

De como quase 300 anos de prisão se transformam em 7 — tipo made in Pindorama
Mas poderíamos também falar de outros casos. Por exemplo, nestes tempos de delação premiada, a palavra do delator tem valido tanto quanto a da vítima no caso do estupro da revisão criminal. Interessante é que, como se trata de “acordos de delação”, não há recurso. Uma pena de 13 anos se transforma em 1 ano (sem previsão legal). Conforme levantamento da Folha de S.Paulo, condenações de 13 delatores somam quase 300 anos, só que transformados em menos de sete anos. Bingo. O problema é: qual é o “DNA” das delações? Como se questiona a autenticidade de tudo o que foi feito, se não há recurso? Sim, porque o delator fica satisfeito; a acusação, idem. O juiz homologa. Como não existe um Ombudsman para recorrer, a substancialidade da delação vai para as calendas. Quase que uma questão de fé. Veja-se como atua a Justiça: exige-se que a absolvição do réu em revisão criminal seja baseada em certeza; já nos casos das delações, basta a palavra do delator, com alguns resultados “tipo-devolver dinheiro”. O mais bizarro nas delações tem sido os casos de acareação. Cada delator mantém sua versão. E daí, alguém perguntaria? E eu respondo: daí é que, se as versões são conflitantes, é impossível que ambos falem a verdade. Logo, um está mentindo. Consequentemente, se um está mentindo e a questão está duvidosa a ponto de ter exigido a acareação (se a justiça tivesse certeza, não precisaria acarear!), então é porque há dúvida. E, de novo, vem à baila a Orestéia. Mais: Suponha-se que o próprio delator diga algo em favor do delatado — ou algo que não é contra — e a PF e o MPF não transcrevem exatamente esse pedaço da fala? Tal omissão — imaginemos que seja verdadeira a denúncia da matéria — desse “pequeno detalhe” é proveniente de culpa transcrevendum, culpa traduzindum, culpa esquecendum, ou culpa digitandum? Pergunta que não quer ser “esquecida”: se o advogado reclama desse “detalhe”, ele está apenas fazendo um jus esperniandum, como quiseram fazer crer algumas autoridades ao comentar o manifesto dos 100 advogados? Mistério. Muito mistério. Duros tempos, em que o advogado tem de pedir desculpas por estar de costas, para os que entendem o anedotário popular.

A incompatibilidade entre processo penal e consequencialismo
Voltando ao Making a murderer. O que está por trás dessa discussão toda é: os julgamentos criminais devem ser consequencialistas ou por princípio? Alguém pode ser condenado porque “isso trará paz social” ou “fará bem à alma da sociedade”? Ou seja: alguém pode ser condenado por argumentos consequencialistas-utilitaristas? Por exemplo: na hipótese de alguém ser condenado tendo por base uma prova “mal havida” (ilícita), esse julgamento é válido? Um consequencialista diria que, se essa prova ilícita apontou o verdadeiro culpado, a condenação deve ser mantida. Já um não-consequencialista, que age por princípio, dirá que o réu deve ser absolvido, mesmo que isso desagrade ao clamor público. “— Ah, mas ele merece. Ele é ‘mau’. A condenação se deu por ‘boas razões’, diriam muitos (a maioria). E eu insisto, andando na contramão: Em uma democracia, o julgamento deve ser por princípio. Contra tudo e contra todos.

Eis os dilemas da aplicação da lei e da Constituição. Há um filme americano em que o sujeito é absolvido porque a arma do crime foi encontrada pela polícia na caçamba do lixo. O assassino havia atirado a arma no lixo. Os lixeiros pegaram o lixo e colocaram no caminhão. A polícia chegou e recolheu a arma. Não tinham mandado judicial para isso. O lixo, ainda não revirado, era ainda privado. Sem mandado, a prova é inválida. Terrível não? Caricato? Pode ser. Mas nesses casos trágicos é que se mede o valor das garantias. A Constituição quando as estabelece, o faz contra as maiorias.

Ninguém quer impunidade. Mas a punição nunca pode ser a qualquer preço. O nosso democraciômetro acende a luz amarela quando procedemos de forma consequencialista... no Direito. No cotidiano, cada qual pode ser consequencialista. Minhas atitudes cotidianas estão baseadas na minha moral. Só que, no âmbito público, essas minhas convicções não devem importar quando se tratar da aplicação de algo que nós convencionamos colocar na Constituição a partir de uma linguagem pública. E nossos argumentos morais não poderão corrigir isso que já está convencionado. O Direito é um remédio para combater o crime. Mas é um remédio para que esse combate se dê dentro de regras. Caso contrário, não precisaríamos do direito. Simples assim.

Direito não é moral e nem moralismo. Ou voltaremos às ordálias.
Se muitos juristas não gostam que o Direito conceba garantias para os culpados, como saberemos se, de fato, eles são culpados? Teremos que, primeiro, saber se são. E para isso há regras. Caso contrário, podemos amarrar as mãos do indiciado, amarrar-lhe uma pedra no pescoço e o atirar na água. Se flutuar, será inocente. Se afundar, culpado. Bingo. Esse é o desejo da maioria. Ups. Aí é que entra o direito. Binguíssimo. Como um remédio justamente... contra maiorias. Não há direito sem processo. Processo é como o raio X do aeroporto. Todos devem passar por ele. Por isso, Making a murderer pode ser uma importante lição. Condenar pessoas por boas razões ou com base em prova falada, pode ser politicamente conveniente para a maioria. Mas pode nos custar caro mais adiante.

Uma palavra final: Você é jurista e não gosta da Constituição? Que pena.
As vítimas são importantes. Seria uma cretinice alguém não se importar com as vítimas. A corrupção deve ser combatida. Devemos diminuir as taxas de impunidade. E as taxas de criminalidade. Elementar isso. Entretanto, a democracia tem um custo. Um ato pode ser considerado absolutamente injusto, imoral, etc. a partir da filosofia moral, da religião, do senso comum. Você quer “fazer” filosofia moral? Vá ler Michel Sandel. Ou vá estudar os filósofos morais. Que, entretanto, também precisam, na hora H, do direito. Para viver em sociedade.

Por que estou escrevendo isso? Para dizer que, se você pode achar as coisas injustas, etc..., há que se dar conta de que no direito isso se dá de modo diferente. Não fosse assim, poderíamos torturar pessoas para obter a verdade de um processo (aliás, o argumento da “verdade real” é uma espécie de tortura; aliás, usa-se como se quer; quando não se quer, diz-se que a prova é intempestiva). Quem acha que a moral pode corrigir o Direito, deve, antes, se perguntar: e quem vai corrigir a moral? Quem? E qual a moral? A do intérprete? Não seria melhor deixar essas “coisas” para a lei e a Constituição?

Não é fácil ser jurista. Não é fácil ser coerente. Se o Direito vai contra o que você pensa e se a Constituição é ruim porque dá direitos aos “bandidos”, ok... mas, então, faça outra coisa. Tem tantas outras profissões nas quais você pode ser útil. Usando um exemplo radical: não faz muito, um juiz norte-americano escreveu para a Suprema Corte dizendo que não podia aplicar determinada pena porque a considerava injusta. Um juiz da Suprema Corte lhe respondeu: “— Peça demissão! Vá fazer outra coisa”. Desculpem pelo exemplo. Poderia usar um outro, como: “— Não aplicarei essa garantia a favor do réu porque eu sei que ele não merece”. Em um sistema de justiça democrático, uma Suprema Corte lhe responderia: “Peça demissão.”

Post scriptum: li as notas dos juízes e procuradores e também os artigos dos articulistas da Folha Josias de Souza e Mario Sergio Conti. Não vou discutir as notas. Já com relação aos articulistas, que dizem que os signatários do manifesto nunca se preocuparam com os 240 mil presos pobres do país e de que os signatários teriam feito um manifesto para os ricos, digo apenas que os dois, talvez por serem jornalistas, nunca leram Jacinto Coutinho, Lenio Streck, Celso Antonio, para falar apenas destes. Há quantos anos berramos contra esse sistema? Quantos manifestos e artigos subscrevi, dizendo que no Brasil la ley es como la serpiente; solo pica al descalzos. Fui o primeiro a propor a tese de que a descriminalização do crime de sonegação nos casos de pagamento antes da sentença fossem estendidos ao furto e estelionato...(e lá estava a frase La ley es...). Nas minhas cerca de 700 conferências no Brasil e no mundo, denuncio essas injustiças ad nauseam. Josias e Conti deveriam ler mais os juristas. O que o manifesto quer dizer é algo que pode surpreender aos jornalistas: até agora as vítimas do sistema penal em Pindorama eram os pobres; nega-se-lhes o direito historicamente (ah, quanto já escrevi contra isso!); e agora esse braço longo do autoritarismo se estende também aos ricos. Viva, diriam. Pois é. Talvez esse seja o “modo tupiniquim” de distribuir a justiça. Bater em todos para firmar a igualdade também na injustiça. Antes — em vez — de dar garantias aos pobres, tiremo-las dos ricos. Zeremos tudo. Afinal, os pobres nunca tiveram mesmo. Bingo. Mas eu não compactuo.

A propósito, para avisar aos dois jornalistas: minha denúncia de que os tribunais da federação continuam (no século XXI, nas barbas dos jornalistas e dos jornaleiros) invertendo o ônus da prova nos crimes de furto e tráfico de entorpecentes... não teve resposta até agora (nem dos tribunais e nem da imprensa). E a denúncia de que não construímos uma doutrina para o Habeas Corpus, idem (aliás, não vejo reportagem sobre isso nos grandes jornais!). Silêncio eloquente... das maiorias.

Claro: enquanto o réu não for um de nós ou de nossa família, alienamos a nossa ação ao outro. Sim: a palavra “outro” em latim é... alienus. Daí a palavra “alienação”. Como maioria, alieno-a-minha-ação-ao-outro. Não é comigo. O inferno são os outros. Por isso — e isso já disse tantas vezes por aí — uma pessoa alienada... ali-é-nada! Se entendem o que quero dizer. Não é fácil ser coerente. É na alegria e na tristeza.

Lenio Luiz Streck é jurista, professor de direito constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do Escritório Streck, Trindade e Rosenfield Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.
http://www.conversaafiada.com.br/brasil/direito-nao-e-moral-nem-moralismo

sábado, 23 de janeiro de 2016

RÚSSIA TESTA ALTERNATIVA AO DÓLAR E PRENDE EUA NUM “FERROLHO DE OURO”

“O que os países BRICS, liderados por Rússia e China, estão fazendo atualmente é alterar realmente o papel e o status do dólar norte-americano no Sistema Monetário Global. De meio de pagamento derradeiro-essencial, e de derradeiro-essencial ativo para acumulação, a moeda nacional dos EUA, por ação conjunta de Moscou e Pequim, está convertida em simples meio de pagamento intermediário. Sua serventia é ‘fazer a ponte’, até ser trocado pelo derradeiro-essencial ativo financeiro: o ouro. É assim que o dólar norte-americano perde seu papel de derradeiro-essencial meio de pagamento e derradeiro-essencial ativo para acumulação – e cede o trono a outro ativo monetário reverenciado, sem pátria ou nação ou aliados ou inimigos: o ouro.”

As acusações mais frequentes que o ocidente tem feito contra Putin têm a ver com ele ter prestado serviços à KGB. Portanto, é pessoa sanguinária e imoral. Tudo é culpa de Putin. Mas ninguém até hoje o declarou burro [como Kerry] ou doido [como o senador McCain].
Tudo que dizem contra o homem só faz enfatizar sua capacidade para pensar analiticamente e com objetividade, e para tomar decisões políticas e econômicas claras e equilibradas.

Seguidamente, a imprensa-empresa ocidental compara a capacidade do presidente Putin à habilidade dos grão-mestres, capazes de jogar várias partidas simultâneas de xadrez em público. Desenvolvimentos recentes na economia dos EUA e do ocidente em geral permitem-nos concluir que nesse ponto, ao avaliar esses específicos traços da personalidade de Putin, a imprensa-empresa ocidental, finalmente, está absolutamente certa.

Por mais que Fox News e CNN, hoje, só façam repetir elogios aos sucessos econômicos do ocidente, a economia ocidental, levando à frente os EUA, está completamente presa na armadilha que Putin montou para ela, e ninguém no ocidente sabe como sair dessa arapuca. Quanto mais o ocidente esperneia tentando escapar, mais o ocidente se enreda na armadilha.

Qual é o destino realmente trágico no qual estão enredados o ocidente e os EUA? E por que a imprensa-empresa ocidental e os ‘especialistas’ ocidentais midiáticos no campo da Economia mantêm o mais impenetrável silêncio sobre a coisa toda? Tentemos compreender no contexto da economia a essência dos eventos econômicos em curso, deixando de lado os fatores de moralismo, ética e geopolítica.

Depois de dar-se conta do fracasso de suas ações na Ucrânia, o ocidente, comandado pelos EUA, decidiu destruir a economia russa, fazendo desabar os preços do petróleo e também do gás, sabidamente itens principais de entradas no orçamento de exportações e fonte de recursos para recompor as reservas russas de ouro.

Deve-se observar que o principal fracasso do ocidente na Ucrânia não é nem militar nem político, mas, isso sim, não ter conseguido de Putin que ele aceitasse financiar o projeto ocidental da Ucrânia, à custa do orçamento da Federação Russa. E essa decisão de Putin tornou inviável o projeto ocidental no futuro próximo e inevitável.

De outra vez, sob o governo do presidente Reagan, esse tipo de movimento, de o ocidente baixar os preços do petróleo, teve ‘sucesso’ e levou ao colapso da URSS. Mas a história não se repete sempre, e nunca do mesmo modo. Dessa vez, as coisas estão diferentes para o ocidente. A resposta de Putin ao ocidente parece mistura de xadrez com judô – quando você usa contra o inimigo a força que o inimigo usa contra você, com mínimo desgaste da força e dos recursos de quem se defenda. As reais políticas de Putin não são objeto de interesse da imprensa-empresa. Por isso, Putin pode manter-se sempre mais focado na eficiência, que em obter efeitos de impacto instantâneo e passageiro.

Poucos são os que compreendem o que Putin está fazendo nesse momento. E quase ninguém compreende o que ele fará na sequência.

Não importa o quanto pareça estranho, fato é que, hoje, a Rússia só está vendendo petróleo e gás a quem aceite pagar em ouro físico (ver Gráfico 1).
Gráfico 1
Putin não está espalhando a notícias aos quatro cantos do mundo. E, claro, ainda aceita dólares norte-americanos como meio de pagamento intermediário. Mas imediatamente converte todos os dólares que receba da venda de petróleo e gás, em ouro físico.

Para compreender, basta observar a dinâmica do crescimento das reservas russas em ouro, e comparar esse dado com o que a Federação Russa recebe da venda de petróleo e gás no mesmo período.

Além do mais, no 3º trimestre, as compras russas de ouro físico alcançaram o ponto máximo histórico, níveis recorde. No 3º trimestre desse ano, a Rússia comprou a incrível quantidade de 55 toneladas de ouro. É mais que todo o ouro que há em todos os bancos centrais de todos os países (segundo dados oficiais) somados.

No total, os bancos centrais de todos os países do mundo compraram 93 toneladas de ouro no 3º trimestre de 2014. Foi o 15º trimestre consecutivo de compras líquidas de ouro, pelos bancos centrais. Das 93 toneladas de ouro que os bancos centrais de todo o mundo compraram nesse período, a ‘fatia’ russa é de 55 toneladas (ver Gráfico 2)
Gráfico 2
Não faz muito tempo, cientistas britânicos já haviam chegado a uma conclusão, que foi publicada no relatório U.S. Geological. A saber: a Europa não conseguirá sobreviver sem a energia que compra da Rússia. Traduzido para qualquer idioma do mundo, significa: “O mundo não conseguirá sobreviver, se o petróleo e o gás russos forem excluídos da massa global de oferta de energia”.

Implica pois que o mundo ocidental, construído sobre a hegemonia do petrodólar, está em situação catastrófica. Não sabe sobreviver sem o petróleo e o gás que recebe da Rússia, e agora a Rússia só se interessa por vender petróleo e gás ao ocidente em troca de ouro físico. O ‘truque’, na jogada de Putin, é que o mecanismo para a venda de energia ao ocidente em troca de ouro funciona sempre, mesmo quando, como agora, o ocidente pague pelo gás e petróleo russos com o seu dólar artificialmente desvalorizado.

Porque a Rússia, tendo fluxo regular de dólares da venda de petróleo e gás, em todos os casos, sempre, pode converter os dólares em ouro aos preços atuais, que o ocidente oferece a preços deprimidos. Quer dizer, com o preço do ouro, que foi artificial e meticulosamente rebaixado várias vezes pelo Fed e pelo Fundo de Estabilização do Câmbio, departamento especial do governo dos EUA (Exchange Stabilization Fund, ESF), contra o poder de compra artificialmente inflado do dólar mediante a manipulação dos mercados.

Fato relevante: Desde 2012, a manipulação dos preços do ouro para baixo, pelo Fundo de Estabilização do Câmbio, departamento especial do governo dos EUA – com o objetivo de estabilizar o dólar -, foi convertida em lei nos EUA.

No mundo financeiro aceita-se como dado indiscutível que o ouro é um antidólar.

Em 1971, o presidente Nixon dos EUA fechou a ‘janela ouro’, pondo fim ao livre câmbio de dólares por ouro, garantido pelos EUA em 1944 em Bretton Woods.

Em 2014, o presidente Putin da Rússia reabriu a ‘janela ouro’ – sem pedir licença a Washington.

Atualmente, o ocidente consome muito de seus esforços e recursos para manter deprimidos os preços do ouro e do petróleo. Por um lado, para distorcer a realidade econômica a favor do dólar norte-americano; por outro lado, para destruir a economia russa, que se recusa a fazer o papel de vassalo obediente do Ocidente.

Hoje, ativos como ouro e petróleo parecem proporcionalmente enfraquecidos e excessivamente desvalorizados contra o dólar norte-americano. É efeito do enorme esforço econômico que o ocidente está fazendo.

E agora Putin vende recursos energéticos russos em troca desses dólares artificialmente inflados por esforços do ocidente. Com os dólares inflados, ele imediatamente compra ouro, artificialmente desvalorizado em relação ao dólar dos EUA… por empenho do próprio ocidente!

Há mais um elemento interessante no jogo de Putin. É o urânio russo. 1/6 de todas as lâmpadas que há nos EUA dependem do suprimento russo de urânio. Que a Rússia vende aos EUA em troca de dólares, é claro.

Em troca do óleo, do gás e do urânio russos, o ocidente paga à Rússia em dólares, moeda cujo poder de compra está artificialmente inflado contra o petróleo e o ouro, por efeito de esforços do ocidente. Mas Putin usa os mesmos dólares para tirar ouro do ocidente, pelo preço em dólares norte-americanos que o próprio ocidente baixou tanto!

Assim, nessa dança e contradança brilhantes, Putin põe o ocidente, com os EUA à frente, na posição da cobra que furiosamente, agressivamente e aplicadamente vai devorando o próprio rabo.

A ideia dessa armadilha econômica para ‘segurar’ o ocidente pode, muito provavelmente, ter saído da cabeça do próprio Putin. Mais provavelmente, foi ideia do Dr. Sergey Glazyev, Conselheiro da presidência russa para Questões Econômicas. Se não por isso, por que Glazyev, burocrata sem envolvimento no mundo comercial-empresarial, foi incluído, com vários empresários russos, na lista das sanções de Washington? E a ideia do economista foi brilhantemente aplicada por Putin, completamente apoiada por seu colega chinês – XI Jinping.

Putin e XI Jinping.
Particularmente interessante, nesse contexto, é a declaração feita em novembro, pela primeira vice-presidente do Banco Central da Rússia (BCR), Ksenia Yudaeva, que disse que BCR pode usar o ouro das reservas para pagar por importações, sendo necessário. Claro que, no que tenha a ver com as sanções, a declaração visa aos países BRICS, em primeiro lugar à China. Para a Rússia, a disposição dos russos de servir-se do ouro ocidental para pagar por importações, é altamente conveniente. Eis por quê:

– Recentemente, a China anunciou que deixaria de ampliar suas reservas em ativos denominados em dólares norte-americanos. Considerando o crescente déficit comercial entre EUA e China (a diferença hoje é cinco vezes, favorável à China), essa declaração, traduzida do idioma financeiro, significa: “A China parou de aceitar dólares em pagamento pelo que exporta”.

A imprensa-empresa mundial escolhe não noticiar esse que é o mais importante ‘evento’ de toda a história monetária recente. A questão não é que a China literalmente se recuse a vender seus produtos para receber em dólares norte-americanos. É claro que a China continuará a aceitar dólares norte-americanos como pagamento ‘intermediário’ por seus bens. Mas, recebidos os dólares, a China imediatamente cuidará de livrar-se deles e de substituí-lo por algo com mais ‘substância’ nas suas reservas ouro e moedas. (ver Gráfico 3)

Gráfico 3
Se não se assume tudo isso, não há como compreender as recentes declarações das autoridades monetárias chinesas: “Estamos detendo o crescimento de nossas reservas ouro e monetárias denominadas em dólares norte-americanos”. Significa que a China não mais comprará bônus do Tesouro dos EUA em troca de dólares armazenados do comércio com outros países, como fazia.

A China substituirá todos os dólares que receberá pelos bens vendidos, não aos EUA, mas ao mundo todo, com algo que não é denominado em dólares norte-americanos. A pergunta seguinte é interessante: com o que a China substituirá todos os dólares de seus negócios? Com que moeda, com que tipo de ativo? Análises da atual política monetária chinesa mostram que muito provavelmente os dólares que venham do comércio, ou parte considerável deles, a China os substituirá em silêncio – de fato, já estão sendo substituídos – por Ouro.

Nesse aspecto, a parceria solitária de russos e chineses é extremamente bem-sucedida para Moscou e para Pequim. A Rússia compra bens da China pelos quais paga diretamente em ouro, aos preços atuais. E a China compra recursos energéticos russos pelos quais paga diretamente em ouro, aos preços atuais. Nesse festival de celebração da vida entre russos e chineses, há espaço para tudo: bens chineses, recursos energéticos russos e ouro – como meio de pagamento nas duas direções. O dólar norte-americano é a única moeda que não tem lugar nesse festival de celebração da vida e da paz.

De fato, não é surpresa. Afinal, o dólar norte-americano não é nem produto chinês, nem recurso energético russo. Não passa de instrumento financeiro intermediário de quitação – e intermediário desnecessário.

Todos os intermediários desnecessários sempre serão, como sempre foram, excluídos de qualquer interação entre parceiros comerciais independentes.

Deve-se observar à parte que o mercado global para ouro físico é extremamente restrito, se comparado ao mercado mundial para petróleo físico. E o mercado para ouro físico é microscópico, comparado à totalidade dos mercados mundiais para entregas físicas de petróleo, gás, urânio e bens manufaturados.

Repete-se sempre a expressão “ouro físico”, porque, no pagamento em vendas de recursos de energia, a Rússia não recebe recursos energéticos ‘de papel’. A Rússia está extraindo ouro do oriente, sempre em sua forma física, não na forma ‘papel’. É o que a China obtém, ao receber do ocidente o ouro ‘físico’ desvalorizado, como pagamento por entrega física de produtos reais ao ocidente.

As esperanças do ocidente, de que China e Rússia aceitariam, para pagamento por bens e recursos energéticos, as chamadas moedas-merda, ‘merda-coin’ [orig. shitcoin] ou o chamado “papel-ouro” de vários tipos, não se realizaram. À Rússia e à China só interessa o ouro, e como metal físico, como meio final de pagamento.

PARA REFERÊNCIA: O turn over do mercado de papel ouro, só de ouro futuro, é estimado em $360 bilhões/mês. Mas a entrega de ouro físico é de apenas $280 milhões/mês. A proporção entre papel-ouro e ouro físico é de 1.000:1.

Ao servir-se do mecanismo de retirar ativamente do mercado, um ativo financeiro artificialmente desvalorizado pelo ocidente (ouro), em troca de outro ativo financeiro, mas artificialmente sobrevalorizado pelo ocidente (o dólar norte-americano), Putin iniciou a contagem regressiva que leva ao fim da hegemonia mundial do petrodólar. E Putin empurrou o ocidente para um impasse, porque não há nenhuma perspectiva econômica positiva.

O ocidente pode consumir quantos esforços e recursos deseje para engordar artificialmente o poder de compra do dólar, baixar os preços do petróleo e baixar artificialmente o poder de compra do dólar. O problema, para o ocidente, é que os estoques de ouro físico que hoje estão no ocidente não são ilimitados. Assim sendo, quanto mais o ocidente desvalorize o petróleo e o ouro em relação ao dólar norte-americano, mais depressa o ocidente perde, porque desvaloriza o ouro que guarda em suas reservas finitas.

Nessa jogada brilhante de combinação econômica que Putin ativou, o ouro físico que sai das reservas ocidentais está rapidamente fluindo para Rússia, China, Brasil, Cazaquistão e Índia, os países BRICS. Ao ritmo atual de redução de reservas de ouro físico, o ocidente simplesmente não tem tempo para fazer qualquer coisa contra a Rússia de Putin, antes do desabamento e colapso de todo o mundo do petrodólar ocidental. No xadrez contra o relógio, a situação em que Putin meteu o ocidente – com os EUA à frente – chama-se “falta de tempo“, em alemão Zeitnot.

O mundo ocidental jamais antes assistiu aos eventos e fenômenos econômicos aos quais assistem hoje. A URSS vendeu ouro rapidamente quando os preços do petróleo desceram. A Rússia rapidamente compra ouro quando os preços do petróleo descem. Implica que a Rússia impõe hoje ameaça real contra o modelo norte-americano de dominação mundial pelo petrodólar.

O princípio chave do modelo do petrodólar mundial é permitir que os países ocidentais liderados pelos EUA vivessem à custa do sangue, do trabalho e dos recursos de outros países e povos, a partir do papel que tem a moeda norte-americana, dominante no sistema monetário global (SMG). O papel do dólar norte-americano no SMG é que é (ou foi) o meio derradeiro de pagamento. Significa que a moeda nacional dos EUA, na estrutura do SMG, é (ou foi) o derradeiro ativo para acumulação, que não faria jamais sentido cambiar por qualquer outro ativo.

O que os países BRICS, liderados por Rússia e China, estão fazendo atualmente é alterar realmente o papel e o status do dólar norte-americano no Sistema Monetário Global. De meio de pagamento derradeiro-essencial, e de derradeiro-essencial ativo para acumulação, a moeda nacional dos EUA, por ação conjunta de Moscou e Pequim, está convertida em nada além de meio de pagamento intermediário. Sua serventia é ‘fazer a ponte’, até ser trocado pelo derradeiro-essencial ativo financeiro: o ouro. É assim que o dólar norte-americano perde seu papel de derradeiro-essencial meio de pagamento e derradeiro-essencial ativo para acumulação – e cede o trono a outro ativo monetário reverenciado, sem pátria ou nação ou aliados ou inimigos: o ouro.

Tradicionalmente, o ocidente sempre usou dois métodos para eliminar qualquer ameaça contra a hegemonia do modelo do petrodólar no mundo e todos os descabidos privilégios para o ocidente. Um desses métodos: as revoluções ‘coloridas’. O segundo método, comumente aplicado pelo ocidente quando falha o primeiro: agressão militar e bombardeio.
Mas no caso da Rússia esses dois métodos são ou impossíveis ou inaceitáveis no ocidente.

Porque, em primeiro lugar, a população da Rússia, diferente de muitos outros povos, não deseja trocar a própria independência e o futuro dos próprios filhos, pelos sanduichões apodrecidos que o ocidente chama de comida. Vê-se bem claro, pelos índices de aprovação de Putin, que as grandes agências ocidentais não se cansam de ‘pesquisar’ e, depois, têm de publicar.

A descoberta de que Alexei Navalny mantém relações estreitíssimas com o Senador McCain e com Washington derrubou toda a credibilidade que tivesse. A notícia do relacionamento entre eles foi assunto de noticiário.

Na sequência, 98% da população russa passou a ver Navalny [vive de denunciar ‘corrupções’, até agora sem qualquer prova contra Putin, e chegou a ser uma espécie de Aécio Neves russo – embora mais rico, (NTs), apenas como sabujo, fantoche e vassalo de Washington e traidor dos interesses nacionais dos russos. E os ‘especialistas’ ocidentais que ainda não enlouqueceram totalmente sabem perfeitamente que ‘revolução colorida’ nunca funcionará no caso da Rússia.

Quanto ao segundo modo tradicional ocidental, da agressão militar direta, evidentemente Rússia não é Iugoslávia, nem Iraque nem Líbia. Em qualquer operação militar não nuclear contra a Rússia, em território russo, o ocidente, com os EUA à frente, estão condenados ao mais fragoroso desastre. E os generais do Pentágono, que são os comandantes de fato das forças da OTAN, já sabem disso.

Ataque nuclear à Rússia também é sem esperanças, inclusive o chamado “ataque nuclear preventivo para desarme”. A OTAN é simplesmente incapaz, em termos técnicos, de lançar qualquer ataque que desarmasse completamente todo o potencial nuclear da Rússia em suas diferentes manifestações. Um ataque massivo nuclear de retaliação contra inimigo ou pool de inimigos atacantes é absolutamente incontornável, se a Rússia for atacada. E a capacidade nuclear total dos russos é suficiente para que os sobreviventes invejem a sorte dos mortos.

Assim se esclarece suficientemente que atacar com armamento nuclear um país como a Rússia não é solução a ser considerada, para resolver o ‘problema’ do colapso do mundo do petrodólar. No melhor dos casos, seria um último acorde no funeral do petrodólar. No pior dos casos, um inverno atômico, o fim da vida no planeta Terra, que ficará entregue a bactérias alteradas pela radiação.

O establishment econômico ocidental sabe e compreende a essência da situação, gravíssima e sem saída, em que o ocidente acabou preso, na armadilha com ferrolho de ouro que Putin urdiu. Afinal de contas, desde os acordos de Bretton Woods todos conhecemos a regra fundamental: “Quem tem mais ouro fixa a regra fundamental.” Mas ninguém, no ocidente, fala sobre a coisa. Não porque o ocidente não saiba onde está metido. Mas porque ninguém no ocidente sabe como o ocidente se safará, se safar-se.

Se se explicar ao público ocidental todos os detalhes do desastre econômico que se aproxima, o povo perguntará aos apoiadores do mundo do petrodólar a mais terrível das perguntas, que se pode formular mais ou menos assim:

– E por quanto tempo o ocidente consegue continuar a comprar petróleo e gás da Rússia e pagar com ouro físico?

E o que acontecerá ao petrodólar norte-americano depois que acabar o ouro físico no ocidente para pagar pelo petróleo, pelo gás e pelo urânio russos, além de outros produtos russos?

Ninguém no ocidente hoje sabe responder essas duas perguntas aparentemente simplíssimas. O nome técnico é xeque-mate. Fim de jogo.

https://dinamicaglobal.wordpress.com/2014/12/31/russia-testa-alternativa-ao-dolar-e-prende-eua-num-ferrolho-de-ouro/

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A Lavagem de Dinheiro das Drogas Pelos Judeus

 

Por: Ben Kaspit, o correspondente de Nova York

O Rabino Yosef Crozer caiu por causa de sua boca grande. "Eu lavo dinheiro, um monte de dinheiro", ele disse uma vez a um conhecido. "cada dia eu pego US$300.000 da rua 47 em Manhattan, trago-os para a sinagoga, dou um recibo e então pego a comissão". O homem que ouviu aquela história de Crozer era, que pena, um agente secreto judeu da agência Norte-Americana para combate ao uso de drogas, (DEA). Um mês mais tarde, em fevereiro de 1990, Crozer foi preso por agentes em seu caminho da rua 47 para o Brooklyn. Encontraram com ele livros de preces, cinco passaportes, e também US$280,000 dólares em dinheiro vivo dentro do porta-malas do seu carro. Ele viajava nesta rota todos os dias. Ele iria chegar ao escritório de comércio de ouro na rua 47 à tarde, e sair logo depois, carregando malas e sacolas cheias de dinheiro. De lá ele iria dirigir até a sinagoga "Hessed Ve'Tzadaka" ["mercê e caridade"] no Brooklyn, que tinha se tornado um instrumento para a lavagem de milhões de dólares, renda obtida da venda de drogas na área de Nova York.

Essa era a maneira como Crozer ganhava a vida. Assumindo que a comissão para lavar dinheiro variava na área de 2 a 6%, pode se presumir que o Rabino Crozer não tenha passado fome. Os investigadores que o questionaram enfrentaram uma tarefa simples, um judeu respeitável e religioso que nunca imaginou que seria interrogado, filho de um rabino altamente respeitado que liderou um grande yeshiva na cidade de New Square, Crozer não opôs resistência e cooperou. Mas então seu advogado, Stanley Lupkin, argumentou que seu cliente, um judeu devoto, não tinha nenhuma idéia de que estava lavando dinheiro de drogas. Crozer, de acordo com seu advogado, acreditava que ele estava lavando dinheiro para um comerciante judeu de diamantes "que negociava em dinheiro e não para traficantes de droga gentios (não-judeus)", e estava usando a situação para fazer algum dinheiro apenas para sua sinagoga. Parece que este argumento teve algum efeito porque Crozer foi sentenciado a um ano e um dia de prisão. Em troca de uma sentença mais suave, ele forneceu a seus interrogadores informações valiosas que lhes ajudaram a capturar uma pessoa que eles estavam procurando por muito tempo: Avraham Sharir, um outro judeu religioso, proprietário de um escritório de comércio de ouro na rua 47 que era realmente um dos maiores tubarões da lavagem de dinheiro de drogas em Nova YorkSharir, um judeu israelense de cerca de 45 anos de idade, a quem nós iremos retornar mais tarde, confessou subseqüentemente ter lavado $200 milhões de dólares para o cartel colombiano de Kali.

O comércio de drogas é considerado o ramo mais lucrativo de crime no mundo. A margem de lucro varia na área de 200% para a cocaína e 1200% para a heroína. As quantidades de dinheiro circuladas no ramo são maiores do que os orçamentos de muitos pequenos países. A tentação é grande. O problema principal dos barões colombianos das drogas que controlam uma parte significativa do comércio de droga do mundo é como se livrar do dinheiro. É um problema dos ricos, mas bem incômodo. Dois dos principais cartéis colombianos das drogas operam nos Estados Unidos: o cartel de Kali e o cartel de Medellin. A morte do cabeça do cartel de Medellin, Pablo Escovar, por autoridades Colombianas em dezembro de 1993, enfraqueceu extremamente este cartel, que havia controlado o comércio de drogas na área de Nova York. O pessoal de Kali, em contraste, mantém um monopólio sobre os mercados da área de Los Angeles e de Miami. Atualmente, o pessoal de Kali distribui cerca de 80% da cocaína no mundo e um terço da heroína. O cartel das drogas de Kali faz $25 bilhões de dólares cada ano dentro dos Estados Unidos somente. O dinheiro deve de algum modo ser enviado para fora dos Estados Unidos sem despertar a atenção das autoridades americanas. Além disso, deve ser dado um selo de aprovação ao dinheiro e, de uma maneira ou de outra, se tornar legítimo. Em torno deste problema complexo um mega-negócio surgiu: lavagem e contrabando do dinheiro das drogas. Os investigadores norte-americanos de clientes encontraram milhões de dólares em recipientes que supostamente deveriam conter ervilhas secas, em tanques de gás com paredes duplas,e em caixas de aço unidas aos navios de frete. Em 1990 eles encontraram $14 milhões de dólares em dinheiro vivo dentro um carregamento de cabos, que imaginava-se, seria enviado de um armazém de ferragens em Long Island para a Colômbia. De acordo com os registros encontrados no local, aquele era o carregamento número 234 (multiplicado por 14 milhões, calcule você mesmo). No mesmo ano, no aeroporto Kennedy, em um armazém, 26 grandes recipientes foram encontrados nos quais supunha-se que deveriam conter esperma de touro. O último não estava lá, mas havia $6.5 milhões de dólares em seu lugar. Em maio deste ano os investigadores americanos invadiram uma fábrica de bolas de boliche em Long Island. Eles golpearam as bolas, cortaram-nas ao meio e encontraram dentro delas 210.000 dólares, em notas usadas de $100 dólares.

Apesar de sua ativa imaginação, os barões da droga encontram dificuldades para manter isto funcionando. $25 bilhões de dólares é muito dinheiro e deve preencher muito espaço, desde que a maioria do dinheiro ganho em tráfico de drogas vem em notas de $10 a $20 dólares. E é aí que o encontro entre os cartéis das drogas e a rua 47 em Manhattan é feito. Esta rua é o centro mundial para o comércio de diamantes, ouro, jóias e pedras preciosas. Centenas de negócios estão aglomerados lá, entre a Quinta e a Sexta avenida, lojas, comércios, salões de exposição. Nas salas dos fundos e nos andares superiores, longe do acesso público, a ação ocorre. Aquele é o lugar onde os principais comerciantes principais se sentam, é o lugar onde os negócios são feitos. Os diamantes, o ouro e as jóias passam de mão em mão, com um cumprimento. A frenética atividade lá oferece um encobrimento ideal para transferências ilegais de dinheiro". De fato, até mesmo negócios legítimos parecem, na rua 47, serem obscuros e misteriosos", disse um oficial investigador de comércio". Mercadorias chegam constantemente, caixas, malas e pacotes são abertos constantemente, tudo chega em carros blindados, sob pesada segurança e um escudo de segredo. Agora, vá tentar achar o dinheiro sujo".

"A conexão entre os barões da droga e a rua 47", um investigador americano de comércio disse ao "Ma'ariv", "é ideal." A indústria do ouro e dos diamantes circula grandes quantidades de dinheiro. Os comerciantes de diamante estão acostumados a transportar grandes quantidades de dinheiro vivo, de um estado a outro, eficientemente e sem deixar um traços. Grandes quantidades de dinheiro passam de mão em mão na rua 47, sem despertar suspeita. Um comerciante de diamantes pode lavar $5 milhões de dólares por dia, sem despertar atenção especial. É difícil monitorar os negócios, localizar as fontes do dinheiro e é muito difícil de se infiltrar naquele campo fechado, que é baseado em conhecimentos pessoais e confiança. Adicionado a isso está o fato de que no curso dos últimos cinco anos, a indústria do diamante na rua 47 tem estado em um forte declínio, que conduziu muitos comerciantes à bancarrota. "Um comerciante como este", disse um investigador, "enfrenta a escolha da bancarrota ou de fazer dinheiro fácil, rapidamente e relativamente seguro. Não todos são fortes o bastante para resistir à tentação".

Tudo aquilo não seria do nosso interesse se não fosse pela presença maciça israelense ou judaica na rua 47. "No mínimo 50% dos comerciantes de diamante lá são israelenses", assim disse um comerciante israelense de diamantes que deseja permanecer anônimo, disse ao "Ma'ariv". Não são poucos também os israelenses que operam no campo das jóias, de pedras preciosas e de ouro. Todo vieram a Nova York para fazer dinheiro rápido, conquistar o mercado, obter sua grande fortuna. Nem todos tiveram sucesso, especialmente nos últimos tempos". Mas a presença judaica na rua 47 é muito maior do que isso. Os peritos no campo estimam que 75-80% dos comerciantes ativos na rua são judeus. Uma grande parte deles são judeus ortodoxos muito religiosos, principalmente Hassídicos. Há também uma respresentação respeitável de judeus do Irã e da Síria, geralmente também muito religiosos. Alguém pode passar muito bem falando hebraico na rua 47. Há muito mais restaurantes kosher na área do que em Tel-Aviv inteira. O lugar é também a maior lavanderia de dinheiro das drogas nos Estados Unidos.

A expansão do fenômeno da lavagem de dinheiro da droga nos Estados Unidos em geral, e em particular, na rua 47, levou ao estabelecimento de uma força de tarefa especial americana, para combater o fenômeno. A unidade é chamada Eldorado, devido a mítica cidade sul-americana do ouro. Composta por 200 agentes, oficiais de comércio dos Estados Unidos e agências da renda interna, Eldorado, estabelecida em abril de 1990, investiga a lavagem de dinheiro em geral. Cinquenta de seus agentes dedicam seu tempo exclusivamente à rua 47. "Este é um trabalho que exige um enorme esforço humano, disse Robert Van Attan, um oficial da Eldorado, porque o dinheiro tem que ser monitorado por todo continente, e às vezes também no exterior". O alvo dos agentes da Eldorado é dinheiro, e somente dinheiro. Eles não estão interessados em importações de drogas, em negócios de drogas ou em traficantes de drogas. "Nós queremos pôr nossas mãos sobre o dinheiro. Para atingir seus bolsos", dizem os membros da unidade.

A tarefa é difícil. Nos Estados Unidos não há nenhuma lei que proíba possuir dinheiro. Por outro lado, quando uma grande quantidade de dinheiro é encontrada na posse de um lavador, os agentes confiscam o dinheiro. Se a pessoa puder provar que a fonte do dinheiro era legítima, o dinheiro lhe é devolvido. Isso não acontece. Os lavadores são experientes. Quando um deles é pego, e muitos milhões de dólares são achados em sua posse, ele se dispõe prontamente a entregar o dinheiro, mas pede por um recibo. "O dinheiro não é meu, eu quero confirmar que você o pegou", é o pedido mais comum que eles fazem. Pois, as suas vidas dependem desse recibo. Não é uma tarefa fácil prendê-los. Os olhos de um lavador típico são sempre presos a seu espelho retrovisor. Ele faz paradas repentinas, se move de uma pista a outra e escolhe longas e tortuosas rotas. Eldorado tem uma resposta. Os investigadores seguem seus alvos com oito, dez, às vezes 12 veículos. Se necessário usam um ou dois helicópteros. Há também equipamento sofisticado, as maravilhas da tecnologia americana nos campos do gravação, observação de rastreamento e quebra-de-código. Nos primeiros dois anos de suas operações, Eldorado capturou 60 milhões de dólares e prendeu 120 lavadores. Comparado a toda extensão da lavagem, no entanto, isto são migalhas. "Este não é o ponto," dizem os agentes da Eldorado. "Obviamente, é impossível, com as limitações legais existentes, pôr um fim ao fenômeno. Nossa guerra é psicológica". Além disso, Eldorado não é a única agência combatendo a lavagem de dinheiro. A DEA, a American Drug Enforcement Agency (Agência Americana de combate às drogas), e o FBI, conduzem também atividade movimentada nesse campo. Nem sempre esta atividade é coordenada.

Em meses recentes os agentes da Eldorado descobriram um novo centro de operações. Ele foi denominado o Triângulo da Cocaína. Seus lados são: Barões colombianos da droga, lavadores de dinheiro Judeus-Israelenses e Mafiosos Judeus-Russos Os colombianos captam o dinheiro, os israelenses lavam-no, os mafiosos judeus-russos (que tem recentemente infestado Nova York em verdadeiros enxames), fornecem a segurança e os músculos de proteção. Um jornalista de Nova York disse recentemente ao "Ma'ariv": "os judeus israelenses estão ganhando notoriedade no mercado de lavagem de dinheiro. Você somente precisa olhar a lista das prisões e dos indiciamentos dos últimos 3 anos, a fim de perceber a enorme extensão da participação israelense nesse campo".

Uma razão para o poder crescente dos Judeus no negócio de lavagem de dinheiro é a Lei do Retorno, com sua fácil possibilidade de fuga para Israel. Em maio de 1993, cinco membros da lavagem de dinheiro Judaica internacional, que tinham trabalhado com o cartel de Kali foram presos. O círculo mafioso foi exposto depois de uma operação 'de mordida' do FBI, na estrutura na qual esse círculo mafioso estabeleceu, numa empresa fictícia chamada Prisma, que serviu ao grupo para a lavagem de dinheiro. No curso de menos de um ano 22,5 milhões de dólares foram lavados através da companhia. O chefe do grupo era um israelense chamado Zion Ya'akov Evenheim, conhecido como 'Zero' Evenheim, que tinha dupla cidadania, tanto israelense quanto colombiana, que permanecia em Kali, onde ele coordenava a atividade e supervisionava as transferências de dinheiro. A maioria dos membros do círculo foi presa em maio de 1993. Evenheim foi preso pela Interpol na Suíça e extraditado para os Estados Unidos. Ele está cooperando com o FBI. Outros Israelenses detidos; Raymond Shoshana, 38, Daniella Levi, 30, Binyamin HazonMeir Ochayon, 33, Alex Ajami, 34. Muitos outros suspeitos, aos quais nós mais tarde retornaremos, escaparam para Israel, e há dificuldades em extraditá-los para os Estados Unidos.

No curso da investigação, os agentes do FBI gravaram centenas de horas de conversações em Hebraico entre os suspeitos israelenses.Com a finalidade de traduzir o material, empregaram, entre outros, Neil Elefant, um residente Judeu de Nova Jersey, que viveu em Israel por um períodoe que falava Hebraico fluente. Elefant traduziu e traduziu, até que um dia em maio de 1992 ele se espantou ao descobrir entre os falantes um amigo, Jack Zbeida, um negociante Judeu de antiguidades do Brooklyn. Elefant esteve então em um difícil dilema. Ele foi se aconselhar com seu rabino, Elazar Teitz, que lhe disse que seu dever religioso deveria ser advertir Zbeida. Elefant então secretamente encontrou-se com Zbeida e disse a ele que ele estava sendo visado pelo FBI. Alex Ajami, um judeu israelense que era um dos chefes da gangue também estava presente. Zbeida e Ajami apressaram-se em oferecer cooperação ao FBI, se voltando contra Elefant, denunciando-o, e que foi preso e acusado de interferir com os procedimentos legais. Ele argumentou que uma das razões para sua decisão em advertirZbeida era a vigilância, quase aproximando-se de anti-semitismo, que encontrou entre os agentes do FBI tentando envolver o estado de Israel em casos de drogas. O juiz Kevin Duffy sentenciou Elefant a 18 meses de prisão. No ínterim o FBI foi forçado a prender apressadamente todos aqueles envolvidos no caso. Apesar da pressa, muitos judeus israelenses envolvidos fugiram para Israel. Alguns poucos das dezenas de judeus americanos e israelenses que fugiram nesta ocasião para Israel são: Raymond ShoshanaAdi TalDavid Va'anunu, seu sobrinho Yishai VanunuYa'akov Cohen. A maioria deles saíram do caso com montes de dinheiro, que levaram consigo também a Israel. Os americanos sabem que as possibilidades de que qualquer um deles seja extraditado para os Estados Unidos são perto de zero.

A história de Adi Tal é digna de descrição. É um jovem que impressiona, de boa aparência, com um bom registro no exército, um filho de uma família israelense fina, anteriormente um guarda de segurança na El-Al. Tudo isso não impediu Tal de se tornar envolvido na lavagem de dinheiro das drogas já em 1988. Em março de1988, as autoridades americanas prenderam 11 membros do anel de lavagem de dinheiro, incluindo Tal e seu melhor amigo, também um israelense, Nir Goldstein. Os investigadores disseram então que Tal e seus amigos tinham operado cautelosamente, usado pseudônimos e códigos e vivido no medo constante. Eles iriam receber grandes quantidade dinheiro de entregadores colombianos, dividir o dinheiro em partes menores do que 10.000 dólares (qualquer quantidade superior à 10.000 dólares que é depositada num banco norte-americano requer um relatório), depositar as partes em bancos e convertê-las em travellers checks que eles enviariam, por meio de entregadores internacionais, para uma empresa falsa no Panamá. O código mais popular que o grupo de Tal usava foi emprestado da indústria do diamante. Quando a informação era transmitida sobre a transferência de um diamante de 30,4 carats, isto significava a quantia de $30.400 dólares. Tal trabalhava para o lavador de dinheiro do cartel de Kali, Jose Satro. Os Colombianos constantemente exerciam pressão sobre ele para aumentar a amplitude da lavagem de dinheiro. Tal estava temeroso. "Ele vivia no medo constante, suas malas estavam sempre prontas e ele estava preparado para fugir a qualquer minuto para Israel", um investigador disse.

Um membro importante do anel de lavagem de dinheiro de Tal era o Rabino Shalom Leviatan, um Hassídico Lubavitch, o cabeça da filial em Seattle. Supõe-se que todo o considerável poder político destes Hassídicos e de seu rabino (então vivo), era aplicado em favor desse anel de lavagem de dinheiro. "Minhas intenções eram boas" Leviatan disse depois que foi capturado. "Uma pessoa aprende da experiência", ele completou. De acordo com ele, ele não sabia que lavava dinheiro das drogas, e tinha certeza que estava ajudando aos judeus iranianos a tentar contrabandear seu dinheiro para fora do Irã. Leviatan saiu facilmente dessa encrenca e foi sentenciado com serviço para a comunidade por 30 dias. Tal, que confessou lavar 10 milhões de dólares, foi sentenciado a 52 meses de prisão. Ele serviu a sua sentença na cadeia de Danbury em Connecticut, mas não aprendeu sua lição. Quando foi liberado, ele se juntou a uma gangue que foi capturada na operação 'sting' do FBI. E desta vez ele conseguiu fugir para Israel, onde aparentemente ele permanece até hoje.


A indústria do ouro e dos diamantes tem recentemente se tornado a favorita dos barões da droga, devido às numerosas possibilidades para lavagem de dinheiro que elas contém. Um dos métodos populares é a lavagem por meio de negociações com ouro. Esta é a maneira como funciona:  O dinheiro das drogas é convertido em ouro, que é contrabandeado para a  Colômbia, de onde é exportado para Milão e usado para fazer jóias, que são legitimamente retornadas à rua 47. "A coisa mais engraçada neste negócio", dizem os investigadores, "é que as jóias chegam aqui sob condições favorecidas de importação com os Estados Unidos, porque o ouro parece originar-se da Colômbia, e este país tem condições favorecidas de comércio com os Estados Unidos". Há também outros métodos. O dinheiro da droga é depositado nas contas de comerciantes de diamantes como se fossem seus lucros e é transferido mais tarde para a Colômbia. Sofisticadas negociações de diamantes são feitas entre várias partes com o objetivo de 'liberar' grandes quantidades de dinheiro por fora. As somas de menos de $10.000 dólares são depositadas em várias contas bancárias, convertidas em travellers checks e transportadas então a seu destino final. Mas apesar da ingenuidade, indubitavelmente uma das maneiras as mais populares e mais bem sucedidas de lavar o dinheiro é através das instituições religiosas judaicas, tais como yeshivas e sinagogas. Desde que a maioria comerciantes de ouro e de diamantes da rua 47 são judeus religiosos o processo é feito mais facilmente. As instituições religiosas judaicas necessitam profundamente de fundos. Os traficantes de drogas colombianos podem ser generosos. Eles transferem seu dinheiro das drogas como doações, que vão para instituições religiosas judaicas por uma porta e saem pela outra porta de volta aos doadores. Nesse processo a sinagoga ou o yeshiva obtêm uma porcentagem respeitável para seus usos religiosos. Todos ficam felizes: os barões das drogas, que lavam seu dinheiro rapidamente e eficientemente e as sinagogas ou os yeshivas, que fazem dinheiro fácil.

A primeira operação de lavagem de dinheiro na qual um instituto judaico em New York estava envolvido já tinha sido exposta já em 1984. Um anel que lavava aproximadamente $23 milhões de dólares quando faziam um lucro de $2 milhões operava no yeshiva mais velho da cidade, "Tifereth Yerushalayim", situado em Manhattan. A lavagem era executada para o cartel de Kali. O homem de contato era David Va'anunu, mencionado no contexto do caso da Prisma, que trabalhou com o lavador principal do cartel, Jose Sairo. O representante do yeshiva era um Hassídico muito religioso, Mendel Goldenberger que diariamente recebia o dinheiro de Va'anunu e depositava o dinheiro nas contas do yeshiva. Goldenberger, que reivindicou não conhecer a fonte do dinheiro, foi condenado por forjar documentos bancários e lhe foi dada uma sentença de cinco anos. Vanunu foi condenado, sentenciado a oito anos de prisão mas liberado antes, depois que ele se tornou um informante para a DEA. Mais tarde, como foi dito, ele se envolveu em encrencas novamente e fugiu dos Estados Unidos. Nove pessoas foram condenadas neste caso, incluindo o Rabino Israel Eidelman, vice-presidente do yeshiva, e algum de seu dignitários. A Tiferet Yerushalayim enfrentava dificuldades financeiras nesse período. Seus líderes tentaram manter o número dos estudantes pagando com os lucros da lavagem do dinheiro das drogas.

Esse fenômeno é muito comum entre os judeus de Nova York. Muitas congregações judaicas estão acabando porque seus membros estão saindo da cidade ou de suas vizinhanças anteriores. Assim, estão perdendo suas fontes de renda e estão enfrentando dívidas enormes. Nesta situação o caminho é curto para que a sinagoga ou o yeshiva lave o dinheiro das drogas como um dever religioso, desde que isso significa dinheiro fácil, e montes dele. "A lavagem de dinheiro é extremamente benéfica aos yeshivas e outras instituições religiosas judaicas", disseram uma fonte próxima da investigação. "Eles estão em uma situação difícil e conseqüentemente fazem vista grossa para o problema das drogas. Não perguntam qual é a fonte do dinheiro desde que ele continue vindo". A atitude da comunidade judaica religiosa, de acordo com a mesma fonte, é a de que "drogas são vendidas de qualquer forma. Enquanto ela não prejudicar nossa própria comunidade e somente fizer bem para ela, não importa se nós nos beneficiamos do comércio de drogas". O papel de Israel é, em muitos casos, fazer a conexão entre as comunidades judaicas religiosas de Nova York e os Colombianos.

Os Colombianos estão mais satisfeitos com este método de lavagem do que qualquer outro porque, por razões políticas, ele é uma maneira relativamente segura que possivelmente poderia-se assumir que não fosse investigada com rigor pelas autoridades Norte-Americanas. Somente em julho de1990 a situação começou a mudar. As autoridades federais reiniciaram uma investigação sobre alguns judeus hassídicos de Williamsburg, proprietários de joalherias na rua 47, que se tornaram suspeitas de lavagem de dinheiro das drogas. A investigação focalizou-se nos irmãos NaftaliMiklosh e Yitzhak Shlesinger, e em Ya'akov Shlesinger (filho de Naftali) e em Milon Jakoby seu sobrinho. Os investigadores encontraram evidências de conexões próximas entre os Shlesingers e os irmãos Andonian, membros de uma família colombiana acusada de lavar quase um bilhão de dólares. Os Shlesingers foram suspeitos da lavagem de dinheiro por meio de uma subsidiária chamada Bali, através de cheques assinados da conta do "Acampamento Yereim" ["Acampamento dos religiosos"] - um acampamento de verão de judeus Hassídicos em Catskills. O Acampamento Yereim nega qualquer ligação com aqueles cheques. Em Abril em 7 deste ano, o Rabino Abraham Lau, um Hassídico  proeminente da sinagoga "Magen Abraham", em Los Angeles, foi condenado de conspiração para lavar dinheiro das drogas. Lau é casado com a sobrinha do Satmar Rebbe,  Moshe Teitlebaum que detêm uma influência política enorme no estado de Nova York. Infelizmente, Lau disse a um agente disfarçado do FBI  sobre "uma rede sagrada" de Satmar Hassídicos, em que outros judeus ortodoxos participavam também. A "rede sagrada", cuja sociedade era limitada estritamente a judeus religiosos, operava na área da rua 47 em New York era capaz de lavar até $5 milhões por semana, graças a seus amplos contatos com instituições de caridade judaicas.

Infelizmente, os agentes legais em New York não acreditam que "rede sagrada" e os muitos outros anéis de lavagem de dinheiro judaicos têm qualquer santidade. No ano passado a atividade federal a respeito de israelenses e judeus na rua 47  aumentou extremamente. Os investigadores agora empregam os serviços de muitos tradutores de hebraico, porque os anéis, mesmo quando compostos de judeus americanos nativos, empregam somente "a língua sagrada" (isto é, hebraico) para suas operações. Aharon Sharir é, sem dúvida, o maior lavador de dinheor israelense. Ele nasceu no Iraque cerca de 45 anos atrás, emigou para Israel com sua família com um ano de idade, formou-se em um colégio israelense, serviu com distinção no exército e tornou-se um perito em consertar instrumentos mecânicos delicados usados para emendar jóias de ouro. Em 1979, Sharir veio a Nova York com um visto de turista e com $6.000 dólares em seu bolso. Entrou no negócio do ouro, estabeleceu uma pequena fábrica para manufatura de jóias de ouro e estava indo bem. Então, através de um outro comerciante israelense de diamantes, descobriu o negócio da lavagem de dinheiro. Sharir alcançava uma amplitude de lavagem de aproximadamente $160.000 dólares por dia, seis dia por semana (a lavagem de dinheiro não é feita aos Sábados) mas em 1985 suas asas foram cortadas quando ele foi acusado de ter fraudado um banco de Nova York banco em $3 milhões de dólares. Ele rapidamente devolveu o dinheiro e foi sentenciado a uma multa e a uma sentença suspensa de prisão. Em 1988, as atividades de  lavagem de Sharir alcançaram alturas surpreendentes. Sua loja de ouro na rua 47 transformou-se em um dos maiores centros de lavagem de dinheiro dos Estados Unidos. "Três vezes por semana", Sharir disse a corte em um de muitos julgamentos nos quais ele está agora testemunhando, "nós recebíamos o dinheiro. Costumava chegar em uns sacos de lona, em caixas de papelão ou em maletas. Às vezes havia um milhão dólares em uma remessa". Ruy Lopez, representando os cartéis colombianos chegava especialmente de Miami equipado com um documento enviado da Colômbia que continha instruções codificadas em detalhes sobre onde enviar o dinheiro. "Mesmo com as máquinas automáticas contadoras de dinheiro, era difícil contar o dinheiro", Sharir testemunhou. "Ele chegava em notas de 5, 10 e 20 dólares. As notas, a maioria das quais tinham sido usadas para cheirar cocaína, tinham um odor forte de cocaína. Um verdadeiro fedor. Meus empregados não podiam suportar. A cada 2-3 horas tinham que fazer uma pausa, sair pra respirar um ar fresco, de modo a não ficarem doidões".

O papel de Sharir era garantir que o dinheiro fosse transportado para fora dos Estados Unidos e que chegasse às contas bancárias dos cartéis colombianos no Panamá e na Colômbia. Para esse propósito, ele depositava dinheiro em suas contas bancárias, como se fossem seus lucros na loja, comprava ações para o uso dos cartéis de drogas, comprava e vendia ouro com preços inflados de comerciantes que faziam parte da conspiração, e escondia dinheiro através de várias manipulações. Finalmente, todo o dinheiro era transformado em cheques assinados para as contas de instituições religiosas judaicas. Sharir recebia dos Colombianos 6% do faturamento pelo seu trabalho. Dentro de um curto período de tempo ele se mudou com sua família para uma casa luxuosa em  Woodmere, em Long Island. Ele comprou um automóvel Jaguar, choveu sua esposa, Miryam, com jóias caras, e doou dinheiro prodigamente à instituições de caridade judaicas.

Os problemas começaram no final de 1988. Em dezembro sua loja foi invadida por agentes de comércio, impostos e da receita interna Norte-Americanos, depois que receberam uma notícia de seus bancos a respeito do volume de seus depósitos. Trouxeram cães para farejar drogas, realizaram uma busca meticulosa nos escritórios e levaram carros cheios de documentos. Sharir não perdeu sua postura. Quando os agentes estavam vasculhando seus escritórios, conseguiu esconder $600.000 dólares que estavam em sua conta de banco naquele momento, e transferir o dinheiro para um lugar seguro.

Simultaneamente, Sharir se encrencou com seus operadores colombianos, que reclamaram que ele tinha roubado deles $26 milhões de dólares do dinheiro das drogas. Sharir, que negou a acusação, contratou um investigator profissional israelense, Lihu Ichilov, para resolver o mistério. Ichilov logo se tornou sócio de Sharir. Ele voou para o Panamá, estabeleceu duas empresas falsas lá, abriu contas de banco e melhorou as rotas de lavagem.

Depois da invasão dos agentes federais em seus escritórios, Sharir não deu desistiu. Dentro de duas semanas ele abriu outros dois escritórios na rua 47 e recomeçou o trabalho. Quando perguntado por um de seus advogados como tinha esperado escapar da atenção da lei,Sharir respondeu: "Eu mudei meu sistema e acreditei que agora, com ajuda de Deus, eu nunca seria pego". O novo sistema de Sharirincluia o rabino Yosef Crozer, de quem nós já falamos anteriormente. A boca grande de Crozer derrubou Sharir, e eles foram presos em março de 1990. Crozer levou também Sharir a confessar ter lavado $200 milhões de dólares. Sua esposa, Miryam, foi presa junto com ele.Sharir, sob a pressão da interrogação concordou em cooperar na troca pela liberação de sua esposa e para o cancelamento das acusações contra ela. A promotoria concordou.

 Isto era um negócio extremamente bom até o ponto que a promotoria sabia. Por três meses Sharir alimentou os investigadores federais com as mais valiosas informações a respeito da indústria de lavagem de dinheiro judaica. A informação incluiu nomes, métodos de operação, códigos, e contas de banco. Sharir conduziu-os à exposição de o que é denominado "o novo triângulo da cocaína". Conduziu à incriminação de mais de 35 outros lavadores judeus, à apreensão de $10 milhões de dólares e da quebra de vários anéis judaicos de lavagem. Entre outros, Sharir incriminou o maior tubarão da lavagem de dinheiro na história dos Estados Unidos, Stephan ScorkiaSharir, que testemunhou em seu julgamento, conduziu diretamente a sua condenação. Scorkia foi acusado por lavar $300 milhões de dólares, e sentenciado a 660 anos de prisão.

Sharir é agora registrado no programa de proteção à testemunhas dos Estados Unidos. Vive sob uma identidade falsa, liberado por fiança, viaja sob pesada segurança entre Nova York, RhodeIsland, Arizona e outros estados, testemunha em julgamentos criminais e por aí vai. Sua esposa, Miryam divorciou-se dele logo depois que o caso explodiu. Ela recusa a comentar o assunto e disse ao Daily News; "Eu não tenho nenhuma intenção de falar. Eu me divorciei de Aharon a fim me distanciar dele e de seus amigos, e exatamente isto o que eu estou  fazendo". Sharir foi diretamente responsável pela fuga de pelo menos 35 colombianos dos Estados Unidos de volta para a Colômbia. Um dos fugitivos era Duvan Arbolda, um dos maiores lavadores do cartel de Kali. Arbolda foi acusado em uma corte de Manhattan de lavar dinheiro em uma vasta escala, depois do testemunho de Sharir. Quando terminar de testemunhar, o próprio Sharir será julgado. O promotoria concordará com uma sentença muito baixa, mas isto não melhora suas possibilidades de sobrevivência. "Atualmente, Aharon Sharir encabeça a lista negra do cartel de Kali" disse um oficial da receita interna norte-americano. As acusações também serviram contraLihu Ichilov, sócio de Sharir. Entretanto, Ichilov fugiu para Israel na véspera de seu julgamento, em janeiro de 1991. Aquele foi o período da Guerra do Golfo e o juiz, Richard Owen, que julgou Ichilov em sua ausência,  disse: o "Sr. Ichilov prefere aparentemente enfrentar o horror dos mísseis Scud que caem em Israel do que o Sistema Norte-Americano de justiça".

          http://www.radioislam.org/shahak/portug/laund.htm