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sábado, 27 de outubro de 2012

WikiLeaks vaza documentos com políticas dos EUA para detentos



25/10/2012 14:09, Por Redação, com Reuters - de Londres


Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, prepara-se para discursar na varanda da Embaixada do Equador em Londres

O site WikiLeakscomeçou a publicar nesta quinta-feira o que afirma ser mais de 100 arquivos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos detalhando políticas de detenção do Exército no Iraque e na Baía de Guantánamo, nos anos que se seguiram aos ataques de 11 de Setembro.

Em comunicado, o WikiLeaks criticou regulamentos que dizem ter levado a abusos e à impunidade, e pediu que ativistas de direitos humanos usem os documentos para investigar o que chamou de “políticas de irresponsabilidade”.

A declaração citou o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, dizendo: “As ‘Políticas para Detentos’ mostram a anatomia da besta que se tornaram as prisões após o 11 de Setembro, a construção de um espaço escuro, onde a lei e os direitos não se aplicam, onde as pessoas podem ser detidas sem deixar rastro, segundo a conveniência do Departamento de Defesa dos EUA.”

- Isso mostra os excessos dos primeiros dias de guerra contra um ‘inimigo’ desconhecido e como essas políticas amadureceram e evoluíram, e em última análise, derivaram para o permanente estado de exceção que os Estados Unidos agora se encontram, uma década depois.

Uma porta-voz da embaixada dos EUA em Londres disse que não faria comentários de imediato sobre o tema.

Em janeiro, a chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse que os Estados Unidos ainda estava desrespeitando a lei internacional em Guantánamo por realizar prisões arbitrariamente e indefinidamente.

Quase 3.000 pessoas foram mortas, em 2001, quando militantes da Al Qaeda, de Osama bin Laden, sequestraram aviões e os lançaram contra as torres do World Trade Center em Nova York, o Pentágono e um campo na Pensilvânia.

Em seguida, o então presidente dos EUA, George W. Bush, criou um campo de detenção na base naval dos EUA em Guantánamo, em Cuba, depois que forças lideradas pelos EUA invadiram o Afeganistão para combater a Al Qaeda. Dos 779 homens detidos lá, 167 permaneciam presos em meados de setembro de 2012.

O WikiLeaks disse que uma série de documentos que está divulgando tem relação com interrogatórios de detidos, e que estes mostram que a violência física direta era proibida.

Mas o site acrescentou que os documentos mostram “uma política formal para aterrorizar os detidos durante os interrogatórios, combinada com uma política de destruir gravações de interrogatórios, que levavam ao abuso e à impunidade”.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TERRORISMO AMERICANO: Assange "Cabra marcado para morrer"



Via Blog do Miro Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Um jornal australiano obteve um documento do governo americano em que Julian Assange e o Wikileaks são classificados como “inimigos do Estado”.

A notícia está repercutindo em todo o mundo, e com razão.
“Inimigos do Estado” é a mesma categoria em que estão catalogados o Talibã e a Al-Qaeda, por exemplo. Na prática, pela legislação de segurança americana, significa que eles podem ser presos sem processo formal por tempo indeterminado.

Podem também ser executados. Mortos. Eliminados. Como se estivéssemos vivendo o seriado 24 horas.

Onde, no Brasil, o repúdio à perseguição movida pelo governo americano a Assange? Ninguém se importa com ele? Algum colunista brasileiro o defendeu? Assange foi alvo de um único editorial? Ou, por criticar os Estados Unidos, ele não pode ser defendido?

Não só a perseguição americana já passou dos limites. Também a intransigência inglesa em não dar a ele salvo conduto para que pegue um avião rumo ao Equador vai passar para a história como um dos maus momentos da história recente do Reino Unido, em seu alinhamento com a política externa americana.

Assange está confinado na modesta embaixada equatoriana em Londres. Ontem, numa fala na ONU, o ministro das relações exteriores do Equador, Ricardo Patiño, alertou para os riscos físicos que Assange enfrenta em sua presente situação. Lembremos que o pretexto para isso é o sexo que duas suecas fizeram consensualmente com ele.

Por teleconferência, Assange também falou ontem num fórum da ONU. Como sempre, num gesto de elegância, falou menos de si mesmo e mais do soldado Bradley Manning. (Também numa atitude admirável, Assange recusou um prêmio de “liberdade de expressão” concedido pela editora argentina Perfil — que no Brasil é sócia da Abril na Caras — quando soube que também estava sendo homenageado um jornalista do Equador que recebe subvenções americanas e trata a patadas o governo constitucional de Rafael Correa.)

Manning é acusado de ter passado ao Wikileaks os documentos americanos que, entre outras coisas, mostravam a Guerra do Iraque como ela era e é, não como os Estados Unidos fingiam que era.

Manning está preso à espera de julgamento, e pode ser condenado à morte por traição. Até que ativistas fizessem pressão, ele foi submetido a condições degradantes numa cadeia militar americana. Estava privado de qualquer contato com outros presos, e durante boa parte do tempo era impedido de vestir qualquer roupa. Tecnicamente, como lembraram os ativistas, estava sob tortura contínua.

E agora: o mundo vai esperar o quê para gritar pela libertação de Assange? Que ele morra?