segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MENSAGEM DE ASSANGE


Mensagem de Assange (em português)



Via facebook de Eugênio Issamu





Estou aqui porque não posso estar mais perto de vocês.

Obrigado por estarem aqui.

Obrigado pela sua determinação e pelo seu espírito generoso.

Na noite de quarta-feira (15/08), depois que enviaram uma ameaça para esta embaixada e a polícia invadiu este prédio, vocês vieram em vigília no meio da noite e trouxeram para cá os olhos do mundo.

Dentro da embaixada, depois que escureceu, ouvi os policiais subindo no prédio pela escada interna de incêndio.

Mas eu sabia que haveria testemunhas.

Graças a vocês.

Se a Grã-Bretanha não jogou fora o Tratado de Viena aquela noite, foi porque o mundo estava observando.

E o mundo observou porque vocês estavam observando.

A próxima vez que alguém disser para vocês que não adianta nada defender os direitos que mais prezamos, lembrem daquela noite em que montaram vigília diante da embaixada do Equador, que aquela manhã o sol nasceu sobre um mundo diferente, e que um corajoso país latino-americano declarou-se a favor da justiça.

E toda aquela gente corajosa.

Eu agradeço ao presidente Correa por ter demonstrado sua coragem ao avaliar e me conceder asilo político.

E agradeço ao governo, ao ministro do exterior, Ricardo Patiño, que defendeu a Constituição do Equador em seu capítulo de direitos humanos, quando avaliaram o meu caso.

E ao povo equatoriano por apoiar e defender essa Constituição.

E eu tenho uma dívida de gratidão para com os funcionários desta embaixada, cujas famílias moram em Londres, que me ofereceram sua hospitalidade e generosidade apesar das ameaças que receberam.

Sexta-feira haverá [houve] uma reunião de emergência dos ministros do exterior da América Latina em Washington DC para tratar dessa questão.

Por isso agradeço ao povo e aos governos de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Venezuela e a todos os outros países latino-americanos que estão defendendo o direito de asilo.

Ao povo dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da Suécia e da Austrália, que me apoiou e deu força, mesmo quando os governos não me apoiaram. E a aqueles mais sábios nos governos, que ainda lutam pela justiça. O seu dia chegará.

À equipe, aos apoiadores e às fontes do Wikileaks, cuja coragem, comprometimento e lealdade não têm paralelo.

À minha família e aos meus filhos, que estão impedidos de ver o pai. Perdoem-me. Nós nos veremos em breve.

Como o Wikileaks se ergue sob ameaça, assim será com a liberdade de expressão e a saúde das nossas sociedades.

Precisamos usar este momento para enunciar a opção que está diante do governo dos Estados Unidos.

Será que [o governo dos Estados Unidos] resgatará e reafirmará os valores sobre os quais foi fundado?

Ou se lançará no precipício, arrastando a todos nós para um mundo perigoso e opressivo, no qual os jornalistas se calam com medo de ser processados, e os cidadãos têm de sussurrar no escuro?

Eu digo que deve retornar.

Peço ao presidente Obama para fazer a coisa certa.

Os Estados Unidos precisam abdicar da caça às bruxas que impõem ao Wikileaks.

Os Estados Unidos devem dar um fim às investigações do FBI.

Os Estados Unidos devem jurar que não vão processar a nossa equipe, nem os nosso apoiadores.

Os Estados Unidos devem afirmar diante do mundo que não vão perseguir jornalistas por revelar os crimes secretos dos poderosos.

Não pode haver mais esse tipo de processo contra a mídia, seja ela o Wikileaks ou o New York Times.

Essa guerra dos governos contra os informadores/denunciantes tem de acabar.

Thomas Drake, William Binney e John Kirakou, e os outros informadores estadunidenses heróicos têm de – devem – ser perdoados e compensados pelas dificuldades que tiveram de enfrentar como funcionários do arquivo público.

E o soldado do exército que continua em uma prisão militar em Fort Leavenworth, Kansas, que a ONU revelou ter sofrido meses de tortura no presídio de Quantico, Virginia, e que depois de dois anos preso ainda espera por um julgamento, deve ser libertado.

E se Bradley Manning realmente fez aquilo de que é acusado, ele é um herói, um exemplo para todos nós, e um dos presos políticos mais importantes do mundo.

Bradley Manning tem de ser libertado.

Na quarta-feira Bradley Manning viveu seu 815º dia de detenção sem julgamento. O prazo máximo segundo a lei é de 120 dias.

Na quinta-feira o meu amigo Nabeel Rajab foi sentenciado a 3 anos de prisão por causa de uma mensagem no twitter.

Na sexta-feira uma banda de música russa foi sentenciada a 2 anos de cadeia por uma apresentação política.

A opressão está unificada.

Por isso deve haver união e determinação absolutas na reação.

Julian Assange 19/08/12 - copyleft

Um comentário:

  1. Assange,
    Não sei se o saiba, mas as coisas mudaram, pois que muito mudaram, e os que sabem, sabem o que! Então não há necessidade de temer e ceder. No que acredita? Daniel, ou outro?

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