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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Safári na favela da Rocinha


Rocinha 20 anos: de tanque de guerra para "safári de gringos com esgoto a céu aberto"


Matheus Lombardi Do UOL, no Rio22/06/201215h11 > Atualizada 22/06/201215h29Luciana Whitaker/Folhapress



Tanque direcionado para Rocinha, durante a ECO92

Há 20 anos, a imagem de um tanque de guerra apontado para a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, correu o mundo. Apesar de o cenário de guerra não ser mais o mesmo, a ameaça militar ainda não saiu da cabeça dos moradores.


Hoje, com o projeto social que ensina os moradores da favela a surfar, além de dar aulas de educação ambiental e inglês, Ramos é um dos principais exemplos de como é possível uma mudança, quando se tem determinação. Bocão afirma, porém, que é preciso mais ação do poder público."Foi um momento muito tenso. A gente sabia que se desse alguma confusão centenas de pessoas poderiam morrer por um tiro de canhão", disse o criador do porjeto social Rocinha Surfe Escola, Ricardo Ramos. Conhecido como Bocão, o marador foi voluntário no evento da ONU há 20 anos.

"A ocupação policial existiu. Mas nós precisamos de outro tipo de ocupação: a ocupação da educação, da saúde, do saneamento básico", disse.

A falta de saneamento básico é um dos grandes problemas da favela. Segundo o IBGE, quase 15% das casas da comunidade não possuem banheiro.
"Para inglês ver"

"Fizeram uma coisa para turista ver. Os estrangeiros vêm aqui como se tivessem num safári. Por fora, a favela é bonitinha. Mas é só entrar nos becos para ver o esgoto correndo à céu aberto", declarou Richard Castelo Branco, diretor do grupo de teatro Bando Cultural Favelados e também morador da Rocinha.

Para Castelo Branco, as principais transformações na Rocinha têm sido feitas pelos próprios moradores.

"O nosso maior tesouro é a nossa gente. Se não fossem os próprios moradores da Rocinha que tomassem a frente dos projetos, muita coisa não teria acontecido", disse.
Estrangeiros fazem espécie de "safári"

A comunidade da Rocinha é a mais populosa do país, com 69.161 moradores. Para a Associação de Moradores, porém, o número pode chegar a 220 mil habitantes.

Uma das moradoras mais antigas da comunidade, do tempo em que ainda não tinha nem luz elétrica no local, a comerciante Francisca Araújo, 80, não vê motivos para comemorar as transformações ocorridas nos últimos vinte anos.

"Hoje, não temos mais o tanque aí na frente. Mas em relação ao que a favela realmente precisa nada foi feito. A Rocinha ainda é um péssimo lugar para se morar", afirmou.

A Rocinha é uma das quase vinte favelas ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), que contam com militares e com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar.




A Rio+20 é Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, ocorre de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Não é uma reunião para discutir meio ambiente, mas sim como as esferas sociais e ambientais, além da econômica, também devem ser consideradas no desenvolvimento de um país.


Para tentar explicar melhor o que é Conferência, a ONG Oxfam fez um diagrama em rosquinha. Ele mostra que a vida humana existe entre um piso e um teto. O piso é a necessidade social de viver, de ter acesso a alimentação, água e conforto. Mas o teto é o quanto o ambiente pode fornecer, sem afetar as gerações futuras. Veja abaixo a imagem.




A rosquinha mostra que a vida humana é possível entre o piso das necessidades sociais e o teto da capacidade do ambiente