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quarta-feira, 30 de maio de 2012

BANCOCRACIA: ITAU BATE RECORDE DE LUCROS E DE DEMISSOES


Em protesto contra as demissões, bancários do Itaú realizam um Dia Nacional de Luta ImprimirE-mail
Qua, 23 de Maio de 2012


Contra as demissões, a rotatividade, o assédio moral, as metas abusivas, as condições precárias de saúde, segurança e trabalho, e a terceirização, bancárias e bancários do Itaú de todo o país realizaram nesta quarta-feira (23) um Dia Nacional de Luta. Em Brasília, trabalhadores de 11 agências da Asa Sul cruzaram os braços e exigiram responsabilidade social do banco, que atualmente é o mais rentável do sistema financeiro.

  • Veja aqui a galeria de fotos do Dia Nacional de Luta em Brasília.

“Diante dos lucros exorbitantes, alcançados graças ao esforço dos bancários, não vamos aceitar que o Itaú continue com as demissões imotivadas e a precarização do trabalho. As instituições financeiras devem ter mais responsabilidade social”, afirmou o presidente do Sindicato e diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), Rodrigo Britto.



Mesmo com lucro recorde de R$ 14,62 bilhões em 2011, o Itaú demitiu 5 mil bancários em todo o país. Em Brasília, mais de 50 bancários já foram demitidos de janeiro a maio deste ano. “Não há justificativa para essas demissões. Muitos desses bancários estão prestes a se aposentar e/ou se recuperando de doenças ocupacionais”, denunciou a secretária de Assuntos com a Comunidade do Sindicato, Louraci Morais, que também é bancária do Itaú.

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Além de apoiar as atividades nas agências da W3 Sul e do Setor Comercial Sul, o Sindicato colocou spots nas rádios locais e espalhou outdoors em alguns pontos do DF para informar a população sobre os problemas enfrentados pelos bancários.


Na contramão
Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Itaú possuía 104.022 funcionários em março de 2011, diminuiu para 98.258 em dezembro e reduziu para 96.204 em março de 2012. Enquanto isso, outros bancos geraram empregos.



Conforme a Pesquisa do Emprego Bancário, elaborada trimestralmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e Dieese, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, os bancos estão mandando embora funcionários mais antigos com salários maiores e contratam novos pagando bem menos. A remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.430,57 em 2011, enquanto que a dos desligados foi de R$ 4.110,26, uma diferença de 40,87%. No ano anterior, a diferença era de 37,60%.

“As longas filas, as demissões e as altas taxas de serviços e tarifas também prejudicam a população. Como se não bastassem essas benesses, o Itaú ainda retira as portas giratórias das agências, medida que traz insegurança para bancários, clientes e usuários”, frisou o diretor do Sindicato Sandro Oliveira, que também é bancário do Itaú.



“Os vigilantes também estiveram conosco durante a atividade mostrando a força e unidade cutista entre as categorias, uma vez que a reivindicação por mais segurança nas agências é importante para todos”, destacou o diretor do Sindicato Roberto Alves, também bancário do Itaú.

Apoio aos bancários

O empresário Ciro Ney apoiou a paralisação dos bancários e mostrou o extrato bancário repleto de tarifas adicionais. “Eu acho que a paralisação deveria ser por mais de um dia. O atendimento não está bom e ainda pagamos muitas taxas e juros”, reclamou.

Mobilização

Mobilizados, os bancários exigem que o Itaú atenda as reinvindicações da categoria na próxima negociação. “Além de mais contratações, os funcionários devem ser valorizados. Por isso, cobramos uma Participação Complementar nos Resultados justa e o cumprimento da jornada de trabalho de 6 horas”, destacou o diretor do Sindicato Washington Henrique, que também é membro da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú.



“Se o Itaú não contratar mais bancários e valorizar seu corpo funcional, os trabalhadores, com o apoio do Sindicato, intensificarão as atividades em todas as agências”, avisou o secretário de Administração do Sindicato, Edmilson Lacerda, que também é bancário do Itaú.

Thaís Rohrer
Do Seeb Brasília



Fonte: http://www.bancariosdf.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=9471:em-protesto-contra-as-demissoes-bancarios-do-itau-realizam-um-dia-nacional-de-luta-&catid=94:itaibanco&Itemid=69

sábado, 12 de maio de 2012

A CORAGEM DE DILMA NO COMBATE A GANANCIA DOS BANCOS

Juros encabrestados

A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país.

Não há melhor definição da importância e da perversão dos bancos do que a de um comitê de intelectuais – entre eles editores de jornais – que se reuniu em março de 1829, na cidade de Filadélfia. Depois de uma semana de discussão, o comitê redigiu sua conclusão sobre o sistema financeiro, por unanimidade. O sumo do documento foi publicado por The Free Advocate em sua edição semanal de 9 a 16 de maio do mesmo ano:

“Que os bancos sejam úteis como instituições de depósito e transferências, nós podemos admitir prontamente, mas não podemos concordar que esses benefícios sejam tão grandes como para compensar os males que produzem, ao criar artificial desigualdade de riquezas e, dessa forma, artificial desigualdade de poder. Se o atual sistema bancário e de papel moeda ampliar-se e perpetuar-se, os trabalhadores devem abandonar todas as esperanças de adquirir qualquer propriedade”.

Do Comitê participavam dois economistas destacados e editores de jornais, William Gouge, da Philadelphia Gazette, e Condy Raguet, do Free Trade Advocate; William Dune, velho jornalista jefersoniano; o filantropo Robert Vaux, Ruben Whitney, ex-diretor do Banco e os líderes sindicais William English e James Ronaldson. O encontro foi registrado por Arthur M. Schlesinger, Jr. em seu estudo clássico sobre o período, “The Age of Jackson”, publicado em 1945.

O formato atual do sistema se iniciou durante o mercantilismo europeu, com o surgimento de agentes financeiros, que emitiam notas de câmbio descontadas por seus correspondentes nas principais praças comerciais do continente, e se desenvolveu a partir do Renascimento, com as casas bancárias de Veneza e Florença, no Sul, e de Hamburgo e Amsterdã, no Norte.

O acúmulo de recursos lhes permitiu envolver-se com a política, no financiamento dos estados nacionais, como ocorreu na Guerra dos Cem Anos, quando banqueiros florentinos, os Bardi e os Peruzzi, emprestaram um milhão e duzentos mil florins de ouro a Eduardo III, a fim de custear o início da Guerra dos Cem Anos, no século 14.

Os Fugger da Alemanha, os maiores capitalistas do século seguinte, foram banqueiros dos papas, encarregando-se de recolher e administrar o dinheiro das indulgências vendidas pelo Vaticano e dos impostos cobrados pelos estados pontifícios.

O libelo dos cidadãos de Filadélfia continua atual. Os bancos não só patrocinam a desigualdade social, ao destinar os recursos dos estados e do povo aos próprios negócios, e no financiamento aos milionários, mas também os utilizam para eleger seus delegados aos parlamentos e, assim, frequentemente corromper e controlar o poder político. Assim, os governantes atuam em sua defesa, como ocorreu em nosso país com o Proer e a entrega de bancos nacionais aos estrangeiros por preços simbólicos, como ocorreu na “venda” do Bamerindus, do Banespa e de outras instituições. O Santander é um exemplo: seu último balanço exibe resultados superiores a duas vezes os seus ativos no país.

Na Europa, como sabemos, os governos emitiram um trilhão de euros e os entregaram ao BCE, para recuperar a economia continental. Em lugar de fazê-lo, a instituição os repassa aos bancos privados a juros de 1% ao ano, a fim de que estes emprestem aos estados em dificuldades - mas a taxas de 6 a 8,5% ao ano. Para honrar esses juros, os governos cortam na saúde, na educação, nos investimentos produtivos, levando o desemprego ao paroxismo, e multiplicando a miséria, como está ocorrendo na Espanha, na Grécia e em Portugal.

No Brasil, a audácia dos banqueiros privados vai além de toda a cautela. Os juros cobrados dos mais pobres – os que são compelidos a valer-se dos empréstimos de curto prazo, mediante o cheque especial, e do refinanciamento das faturas dos cartões de crédito – são infernais: 238% ao ano, no caso dos cartões, e de 185% nos cheques especiais.

Para que tenhamos uma idéia do assalto: na Grã Bretanha, com as dificuldades conhecidas, os juros sobre as faturas não saldadas dos cartões de crédito não ultrapassam 30% ao ano, ou seja, são de cerca de 1/8 das taxas cobradas em nosso país.

A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país. Suas providências técnicas, como a da redução dos juros pagos às cadernetas de poupança – em proporção insignificante, mas suficiente para empurrar as taxas de remuneração das aplicações financeiras para baixo, não prejudicam os clientes dos bancos, mas impõem uma sensível redução do spread. Enfim, encabresta os agiotas do sistema bancário, tão danosos ao país quanto a organização de Carlos Cachoeira.


---------------------------------Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.